A vida na Índia sob o olhar de uma brasileira.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Mehtab Bagh




Tem alguma coisa estranha nesta foto?

Os bons observadores devem ter notado que o jardim está diferente daquela outra foto que postei aqui há alguns meses e de outras que possam ter visto. Então o que houve? Mudaram o jardim? Ou não seria este o verdadeiro Taj Mahal e sim uma réplica dele?
Nada disso, meus caros. Este é sim o original, e seu jardim não foi remodelado. Este é na verdade o Taj visto de um outro ângulo.
Ué, Mari! Mas parece ser exatamente igual àquela foto de frente que você mostrou.
Pois é isso mesmo. A construção principal tem todos os lados iguais, e esse que aparece na foto é o lado de trás.

Apesar de as opções de passeios estarem se esgotando pra nós aqui em Agra, dei uma pesquisadinha mais a fundo e descobri a existência desse jardim, o Mehtab Bagh, de onde se tem uma vista privilegiada do Taj Mahal. Além da vista, a vasta área arborizada onde se pode caminhar pelo gramado proporciona uma paz que não se encontra nas ruas.
Ainda assim com um pouco mais de tranquilidade, algumas coisas não nos deixam esquecer de que estamos na Índia. Por exemplo, ao chegarmos e depois ao sairmos, umas cinco ou seis pessoas entre homens e meninos nos abordam seja pra vender cartões postais, bijuterias ou pra pedir dinheiro numa insistência perturbadora que é quase uma invasão que nos tira o direito de ir e vir. E é perturbadora não só no sentido de que nos tira a paz e nos desvia de nosso próprio pensamento e rumo, mas porque inquieta o ser que está ali pretensamente hermético, que deseja ver o Taj Mahal sem ver a Índia; e depois que é forçado a ver, fica ali, ineficaz, mesmo que divida todo o dinheiro que carrega nos seus bolsos, e sai deixando um rastro meio amargo e meio doce.

Filosofias a parte, fiquei com esse gosto também com relação ao seguinte episódio: Paramos pra olhar esta pequena vila que aparece ao fundo na foto abaixo. Ela é separada do jardim apenas por uma baixa cerca.

Assim que nos aproximamos esses dois meninos vieram correndo, dizendo: Foto, foto... Resolvi entrar na brincadeira e posar pra foto com eles, que imediatamente depois do clique começaram a dizer: Foto, 10 rupees... hehe Infelizmente não tínhamos dinheiro trocado e saímos andando. Eles nos seguiram e insistiram por um tempo até o André amolecer o coração e tirar uma nota de 100 rúpias da carteira. O menino mais velho prontamente garantiu que iria dividir o dinheiro com o outro e já estava quase saltando em cima da nota de ansiedade. Quando pôde, porém, agarrou a nota com toda a força e saiu em disparada, deixando o mais novo se jogar no chão aos prantos de frustração. É, uma malandragem de criança que me deixou pensativa e chateada. Fiquei tentando vislumbrar o futuro desses dois seres humanos, que são iguais a mim e a você, só que com oportunidades diferentes.

Bem, como não podia faltar, mais um momento "sinta-se uma celebridade na Índia"... hehe Olhem essa fofura que veio me entregar uma flor:



Por livre e espontânea pressão do pai dele, me estendeu a mão pra posar pra foto. Reparem no bonezinho pro lado, zíper aberto e cadarço arrastando no chão... Muito fofo!
Depois me pediram pra tirar uma foto com os dois filhos e outra com a mulher. Honestamente, não entendo o que eles veem em mim. Num lugar onde as branquelas europeias chamam até a nossa atenção, eu iria imaginar que uma brazuca meio "índia" passaria despercebida.

Aliás, não sei quais eram as circunstâncias que trouxeram aquelas branquelas à Índia, mas vale a dica de que essa não é a melhor época do ano pra fazer turismo a menos que você seja um camelo ou algo assim. Nós não nos atrevemos a sair antes das 17h e ainda assim a sede e o desconforto do clima nos fizeram voltar logo para casa. Entre os meses de fevereiro e abril foi a época mais agradável pra passear.

Bem, como quase tudo na Índia, o Mehtab Bagh não é impecável, mas serve como uma boa opção pra quem gosta de natureza e, claro, apreciaria admirar de camarote o Taj Mahal do outro lado do rio Yamuna.


 

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