A vida na Índia sob o olhar de uma brasileira.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Vai um docinho aí?

Esses dias eu estava caminhando aqui dentro do condomínio onde moramos e um garoto veio e me deu um doce. Achei bem estranho, ele apontou uma scooter dentro da garagem, disse que tinha ganho. E eu ali com o doce na mão ainda desconfiada e tentando entender qual era a relação entre ele ter ganho uma scooter e o fato de ter me dado um doce. Foi aí que o sorridente menino me disse: é uma tradição. Ok, entendi... acho que quando se ganha algo muito legal você também deve passar adiante a gentileza oferecendo algo a outras pessoas.
Perguntei se ele não era muito novinho pra ganhar uma daquelas, ao que ele respondeu orgulhoso: Não, eu tenho quatorze anos de idade.
Pelo que eu saiba a idade mínima pra se dirigir aqui é de 18 anos, mas jovens de 16 têm permissão pra conduzir essas motos pequenas. Deve ser por isso que essas motinhos estão por todo o lado.
O doce se chama burfi .Era amarelo, feito de côco. O sabor é bem parecido com o de uma cocada, só que com uma consistência mais molinha. De novo uma experiência legal, mostrando que na Índia sempre vale a pena dar uma voltinha mesmo que seja até a esquina pra se aprender algo novo.
Burfi. Doce indiano.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Seu casamento é apenas um contrato (?!)

Pessoal, olhem só o outdoor que colocaram aqui perto da empresa:

O que é seu casamento senão um contrato comercial. Você precisa de "lei" e não de amor.
Parece uma piada, mas os caras chegaram a esse ponto pra fazer uma propaganda e oferecer serviços. Alguma relação com o fato de a maioria dos casamentos aqui serem arranjados? Seria injusto afirmar isso enquanto os divórcios em países como Brasil e Estados Unidos por exemplo já se aproximam de 50% do número de casamentos. Ora, é evidente que a mídia já vem oferecendo uma grande contribuição em prol da "liberdade" das pessoas aqui na Índia. Pode-se notar esse fenômeno no comportamento e na maneira de vestir-se dos jovens de classe média a alta, que já começam a fugir das tradições antigas. Aparentemente, juntam-se a essa corrente os que estão interessados em dar uma forcinha a mais para os indianos se libertarem de suas amarras.
Ainda assim, essa propaganda não é chocante se comparada a outras que ouvi dizer que existem, como por exemplo as que tentam impelir abertamente o aborto de meninas, sob o argumento de que uma filha gera muitos gastos aos pais. Eles dizem: Gaste X (com o aborto) para não gastar muito mais no futuro.

Incredible India?!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Oi pessoal! Já faz um tempinho que não venho contar novidades aqui, mas não é porque esqueci do nosso cantinho. É que ultimamente não temos conseguido fazer nada de diferente, e isso por conta do clima: hoje por exemplo fez 44˚C com humidade do ar de 11%. Sair durante o dia se torna praticamente impossível nessas condições.
Para o bem e sobrevivência de nosso blog, nesta semana os amigos Paavan e Smita me convidaram pra comer uma iguaria típica e bem popular na Índia: Samosa.
Pra quem nos acompanha desde o início, vale mencionar que até agora meu conhecimento da culinária indiana se limitou àquelas duas sobremesas que o Ali me trouxe, além do Paratha com azeite e alho que comemos no restaurante do Hotel Marina – esse não hesitamos em pedir de novo. É exatamente por esse motivo que eu ter provado algo novo é um fato digno de menção.
Talvez vocês já até conheçam alguns pratos indianos, mas eu particularmente não tinha tido contato com a culinária daqui antes. Engraçado que depois que me mudei alguns amigos disseram que adoram comida indiana.
Mas enfim, vamos ao Samosa...


É um salgado frito, com uma massa fina e crocante envolvendo um recheio que nesse caso era de batatas e alguns temperos. Pro meu gosto é apimentado demais, mas super normal pra média do paladar dos indianos. Serviram também duas opções de molho, um salgado e um doce; os dois chamados Chutney. Comi o meu inteiro e gostei. Seria mais gostoso ainda não fosse a pimenta e a desconfiança (quase certeza) sobre os métodos de higiene utilizados no preparo e manuseio do tal.
De qualquer forma, a experiência foi super positiva: conheci de perto mais um pouco desta cultura e tive um momento de descontração que estreitou os laços de amizade com a turma de indianos aqui do escritório, que aliás são super simpáticos e prestativos.