A vida na Índia sob o olhar de uma brasileira.

domingo, 16 de setembro de 2012

De indianos a indígenas

Olá pessoal. Espero que não esteja muito estranha essa história de ter um blog chamado Minha vida na Índia e postar assuntos do meu dia a dia em São Paulo.
Bem, incoerências à parte, hoje vim falar um pouco da vida em geral e principalmente da visita que fiz ontem com o pessoal da USP a uma aldeia indígena em Parelheiros, chamada Krukutu.
Essa visita estava prevista no programa da disciplina da professora Márcia Gobbi, que é formada em Ciências Sociais e faz pesquisas sobre desenhos infantis, entre outras coisas. Foi graças a ela que eu soube da possibilidade de fazer uma transferência do meu curso de pedagogia na Campos Salles para a USP. Sim, e como eu não sabia disso, imagino que outras pessoas não saibam, então aproveito pra divulgar já que foi algo bastante significativo pra mim.
Caso você esteja fazendo curso superior numa faculdade particular e tenha interesse em estudar em uma pública, há um processo de transferência externa que ocorre todos os anos. No caso da USP, a prova da primeira fase é aplicada pela FUVEST, é só entrar no site deles pra conferir os detalhes. A vantagem é que a prova é mais tranquila do que o vestibular regular e a prova engloba apenas conhecimentos relacionados à area do curso desejado.

Enfim, agora voltando à visita... Apesar de distante (aproximadamente uma hora e meia do campus do Butantã), a aldeia Krukutu  fica ainda dentro dos limites da cidade de São Paulo, e destoa completamente da paisagem urbana típica da grande metrópole. Lá fomos recebidos por uma espécie de líder na comunidade, chamado Olívio Jekupé, o qual já estudou na USP também e tem livros publicados inclusive na Itália.
A aldeia fica numa área de proteção ambiental e, pelo contato com os "brancos", já há uma influência expressiva destes na cultura da comunidade. Existe ali uma unidade básica de saúde, uma escola estadual e o CECI (Centro de Educação e Cultura Indígena). O contato com este grupo suscita questões de grande profundidade, cuja discussão caberia em meios científicos e de políticas públicas, mas aqui podemos deixar o lado humano - o contato e o olhar de respeito para com a diversidade.

Menino brincando na aldeia Krukutu. O que mais me fascinou foi como as crianças usam seus corpos de diversas maneiras, com liberdade e expressão muito menos cerceadas do que conhecemos em nosso formato de sociedade.
Açude na aldeia indígena Krukutu. Dá pra acreditar que isso é na cidade de São Paulo?
Assim como essa visita, outras experiências têm tornado este semestre na faculdade interessante e válido, mas as experiências positivas minimizam apenas um pouquinho a saudade e a dificuldade de estar longe do meu amado. Digo isso porque a situação atual tem feito com que eu reflita bastante sobre relacionamentos, e deixo pra vocês a mensagem que considero mais essencial: Não importam as circunstâncias, haverá obstáculos. E é nas horas de maior desafio que nossa fé é testada. Compreensão, amor e generosidade são a solução para muitos problemas e vale a pena o esforço de exercitar estes valores. Quem descreve com maestria tal relação é Jeffrey R. Holland, apóstolo de A Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias. Assista aqui à devocional.

Deixo meu agradecimento a todos os que torcem por nós e nos ajudam a sermos melhores de alguma forma.
Beijos com carinho
Mari

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