A vida na Índia sob o olhar de uma brasileira.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Agra Fort

Apesar de o Forte de Agra não ser tão conhecido quanto o Taj Mahal, também acaba se tornando atração obrigatória para os turistas que visitam a região. E pra quem esperava que o Taj Mahal seria o auge de sua visita no que diz respeito a glamour e grandiosidade, surpreende-se com o forte, que supera o Taj em extensão e riqueza de detalhes. Em seguida apresento uma espécie de diário ilustrado contando um pouco do que vi e ouvi durante esse passeio.



Pessoas ao redor durante a negociação com o motorista do tuk-tuk.
 E aqui na Índia a diversão começa assim que colocamos nossos pés pra fora de casa: Chegamos no ponto dos tuk-tuks. Você acha que tem uma fila, assim como nos pontos de táxi, onde se respeita a vez de cada um? Não aqui, meus caros... É engraçado quando tentamos escolher o tuk-tuk que está em melhores condições e perguntamos ao condutor quanto cobra pra nos levar a um determinado destino. Logo outros motoristas se aproximam, dão seu preço e oferecem pra nos levar. Eles não se importam, o primeiro não fica bravo porque o outro está "roubando" o cliente dele. Mesmo os curiosos se aglomeram ao redor pra "ajudar" na negociação.



Depois de acertarmos um preço, seguimos em direção ao forte. Durante o trajeto entramos numa rua em que ficamos trancados por um tempinho devido a uma movimentação que havia ali. A banda na foto ia à frente de uma espécie de passeata. Em clima de festejo, todas as pessoas começaram a se dar as mãos. Em seguida vi alguém se ajoelhando em adoração a algo que estava adiante e eu não conseguia ver o que era de onde estava. De repente o mais inusitado: homens completamente nus caminhavam entre a procissão. Temos o palpite de que deveriam ser como "homens-santos".


O forte de Agra, que fica a apenas 2,5km do Taj Mahal.
Chegamos. Na entrada, há a movimentação típica de turistas locais e estrangeiros. Em meio a ofertas de guias, compramos as nossas entradas, que custam 300 rúpias por pessoa.
Resolvemos contratar os serviços de um guia turístico, já que as informações oferecidas por eles agregam muito à visita, que ficaria um tanto vazia e desconexa sem o conhecimento da história do local.
Assim como o Taj Mahal, o forte também fica aberto do nascer ao pôr do sol. Novamente nós fomos no fim da tarde e recomendo, mesmo não tendo ido mais cedo pra ver como é. Nesse horário a temperatura já está mais amena e o lugar está mais vazio. Fora que os guias começam a cobrar menos no fim do expediente e ainda assim há tempo suficiente para fazer o tour completo.


Vista após atravessarmos o primeiro portão. A conservação do Forte de Agra é impecável comparada ao restante dos lugares na Índia.
Aqui paramos para algumas informações. O forte foi construído no século XVI e abrigou algumas gerações de imperadores. Classificam-no como cidade-palácio, ou cidade murada.



Fosso ao redor da estrutura usado como proteção contra invasores.
Vista de dentro do forte.
Este fosso era mantido cheio de água com crocodilos dentro. Já no espaço mais interno de terra que se segue, o guia nos disse que eram mantidas onças e elefantes. Isso além dos guardas de plantão.

Rampa de acesso ao forte de onde seriam lançadas pedras e água fervente no caso de uma invasão.

Já nesta rampa de acesso, nos foi dito que, no caso de uma invasão, estariam preparados para lançar pedras rolantes e água fervendo pelos orifícios que há nas laterais. Porém, nunca tiveram a oportunidade de "testar" todos esses recursos de segurança, já que não houve tentativas de tomar o forte.



Um dos quartos no interior do forte. Os detalhes eram revestidos em ouro, o qual posteriormente foi saqueado pelos ingleses.

Uma vez dentro desta espécie de palácio fortificado, onde figuram jardins, pátios, biblioteca, mesquitas, salão de festas, etc... tudo é uma demonstração da grande opulência em que viviam esses imperadores. Uma curiosidade é que eles não usavam móveis, apenas tapetes no chão.

O luxo é maior do que podemos imaginar. Nessa área funcionavam várias lojas, já que além de uma população de trabalhadores, as cinco mil mulheres extraoficiais de um dos imperadores habitavam o local! Agora considerem que eles tinham até um quarto com ar-condicionado. Como assim? Naquela época? Basicamente, o sistema de refrigeração consistia em um quarto de paredes ocas e estrutura em forma ovalada, sobre o qual funcionários jogavam água para manter seu soberano bem fresquinho e protegido do calor escaldante.


Os leitores mais assíduos talvez lembrem-se de eu ter contado que Shah Jahan, aquele que mandou construir o Taj Mahal, foi aprisionado por seu próprio filho. Pois foi exatamente dentro do Forte de Agra que ele passou seus últimos anos de vida, em uma espécie de prisão domiciliar de luxo, de onde podia avistar o último abrigo de sua amada Mumtaz, e pra onde ele mesmo seria levado após sua morte.

Bem, tudo isso e não mostrei a vocês nem metade do que vimos, sendo que o que vimos foi, de acordo com o guia, apenas 25% do forte. É por isso que estou indo morar lá :)
Brincadeiras a parte, sentimos quase que uma indignação pelos excessos desses monarcas, mas foi esta a sensação com que terminei a visita ao forte... dá vontade de morar lá.
Pra terminar, deixo vocês com mais algumas fotos.... Até a próxima aventura!



 

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